CHANGE4FIRE
Modelação de mudanças climáticas e de ocupação do solo para avaliação de perigosidade a incêndios no futuro
Os incêndios extremos ocorridos em diversas partes do mundo na última década, como em Portugal em 2017 e na Austrália em 2019-2020, mostram que o regime de fogo está a mudar. Estima-se que a frequência de incêndios rurais destrutivos aumente, especialmente nas regiões mediterrânicas, podendo causar impactos severos ao nível ambiental, económico e social.
As mudanças na ocupação do solo, as condições sociodemográficas e as alterações climáticas, são apontadas como as principais razões para as alterações nos padrões de ocorrência de incêndios.
O abandono agrícola devido ao êxodo rural, uma tendência vísivel nos países do sul da Europa desde há várias décadas, e a consequente ausência de gestão da paisagem, conduz à acumulação de combustíveis florestais, reconfigurando os territórios e aumentando o risco de incêndio, agravado por condições meteorológicas extremas. Países como Portugal, fortemente afetados por incêndios, são confrontados com a necessidade de ajustar os sistemas de gestão de incêndios para enfrentar novos desafios e proteger territórios diferentes. As estratégias de mitigação e adaptação, para serem mais eficientes, devem basear-se em abordagens de gestão ao nível da paisagem, adaptadas a contextos territoriais específicos.
O projeto Change4Fire pretende contribuir para uma compreensão mais aprofundada das interações entre os fatores condicionantes dos incêndios rurais, como a ocupação do solo e as condições climáticas, e a forma como a sua interação configura contextos ambientais distintos que requerem estratégias ajustadas.
O principal objetivo deste projeto é desenvolver um modelo de análise de perigosidade a incêndios que tenha em conta a diversidade territorial, incorporando as interações entre a ocupação do solo, a morfologia do terreno e os parâmetros climáticos, estimando cenários para o século XXI que auxiliem na preparação atempada dos diferentes territórios.
Os objetivos específicos, que orientam as atividades e tarefas, são:
- Refinar as projeções climáticas e incorporar a diversidade territorial através da identificação de Unidades de Resposta Climática Homogénea (URCH);
- Melhorar os modelos de alteração de ocupação do solo através da integração de URCH;
- Estimar cenários de perigosidade a incêndios para 2040 e 2070, baseados no modelo de alteração de ocupação do solo que integra as UHRC;
- Obter perfis dos cenários de acordo com as diferentes combinações de variáveis e o nível de importância dos fatores condicionantes;
- Propor estratégias de mitigação e adaptação ajustadas aos perfis e cenários futuros;
- Criar rotinas automatizadas para promover a replicação e utilização mais alargada dos modelos e dos procedimentos de análise desenvolvidos.

